Nossa gestão em biodiversidade

Nossa gestão em biodiversidade

A Vale busca gerir seus impactos com base nas etapas da hierarquia de mitigação de impactos, de modo a produzir conhecimento e resultados que possam ser referência para todo o setor e outros negócios.  

Por meio de parcerias e engajamento, queremos que as nossas ações enderecem não apenas a gestão dos impactos negativos, como também gerem resultados positivos nas atividades da empresa e para além das nossas fronteiras, de modo a contribuir com um futuro positivo para a natureza no contexto global. 

Por se tratar de um tema transversal, natureza e biodiversidade são regidas por nossa Política de Sustentabilidade, com o propósito de prevenir e minimizar riscos e impactos negativos e potencializar impactos positivos, gerando valor social, ambiental e econômico para além das atividades da Companhia. Como direcionador da Política, destaca-se a busca por resultados positivos para a natureza a partir do investimento em restauração, conservação e pesquisa, integrando biodiversidade, clima, água e pessoas. Essa política se aplica à Vale S.A. e suas controladas, durante todo o ciclo de vida de seus empreendimentos e em todos os seus territórios de atuação. Ela também orienta nossos fornecedores sobre as diretrizes inegociáveis da Vale para uma operação responsável. Importante destacar que a política está alinhada às metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (destacando-se as metas 1, 2, 3, 4, 11, 15, 20 e 21).

A governança de biodiversidade está integrada à estrutura da Vale, incluindo o Comitê de Sustentabilidade que é estatutário e apoia o Conselho de Administração, entre outros instrumentos e macroprocessos. O Comitê Executivo de Sustentabilidade tem como atribuições elaborar e submeter ao Conselho de Administração as diretrizes e o plano estratégico, levando em conta as questões socioambientais, e implementar o plano aprovado. Em 2021, o Conselho de Administração decidiu instituir a Vice-Presidência Executiva exclusiva de Sustentabilidade, que é responsável pela implementação das políticas e diretrizes gerais relacionadas a biodiversidade estabelecidas pelo Conselho, assim como pela identificação, abordagem e gestão de impactos, dependências, riscos e oportunidades relacionadas a natureza, assim como de questões críticas que resultem em riscos ou impactos nos negócios, bem como pela avaliação de propostas de investimentos em sustentabilidade.  Uma das políticas que a Vice-Presidência Executiva de Sustentabilidade deve implementar é a Política de Sustentabilidade (leia mais em Governança). 

A natureza e a biodiversidade estão integradas em nossos planos estratégicos de sustentabilidade e disseminadas por toda a empresa, alinhados à nossa Política de Sustentabilidade e à Norma Interna de Biodiversidade Corporativa. Nossas diretrizes e planos estratégicos são aprovados pelo Conselho de Administração, e sua implementação é monitorada em todas as áreas da empresa por meio de relatórios dos vice-presidentes executivos e da supervisão dos Comitês Consultivos. Os riscos de biodiversidade estão incluídos no mapa de riscos integrados e na gestão de riscos da empresa, e o Projeto Piloto TNFD informou a revisão do processo de gestão de riscos de biodiversidade a partir de uma avaliação integrada realizada por uma equipe multidisciplinar. Esse processo foi aprovado e é monitorado pelo Comitê Executivo de Riscos de Sustentabilidade.
 
Governança de Natureza e Biodiversidade
Todas as unidades operacionais têm equipes de meio ambiente e profissionais com expertise em biodiversidade responsáveis pela gestão dos planos e programas, assim como pelos riscos operacionais relacionados, que reportam à equipe de biodiversidade corporativa, que responde à VP de Sustentabilidade dentro da Diretoria Executiva de Clima, Natureza e Investimentos Culturais.

A gestão da biodiversidade está incorporada aos requisitos específicos no Modelo de Gestão Vale (VPS – Vale Production System), embasados no padrão normativo interno que traz Diretrizes e Processos para a Gestão da Biodiversidade. Esse documento foi publicado em 2020 (revisado em 2023) e se aplica a todos os projetos e operações, abrangendo as etapas de planejamento, implantação, operação e fechamento. As diretrizes e processos têm como base a hierarquia de mitigação de impactos, estão focadas na gestão de impactos e riscos de biodiversidade e apoiam o atingimento dos nossos compromissos.  

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Metas e compromissos

Entre os compromissos da nossa agenda 2030, temos metas relacionadas à redução de pressões sobre a natureza e a biodiversidade (como a redução das nossas emissões e redução da captação de água nova) e a Meta Florestal – recuperar e proteger 500 mil hectares, que vai para além das nossas fronteiras buscando parcerias para deixar um resultado positivo para a natureza na escala da paisagem. 

Meta Florestal     

A Meta Florestal faz parte do compromisso da Vale de alavancar a agenda de proteção e recuperação por meio de parcerias, além de fazer parte da estratégia de clima da Vale para atingir a Meta de ser NetZero até 2050.

A Meta Florestal é composta de dois objetivos: recuperar 100 mil hectares e proteger 400 mil hectares. Esse é um compromisso voluntário, que vai além das nossas obrigações legais, visando contribuir com resultados para um futuro positivo para a natureza. Essa meta foi definida a partir de um baseline de 2019, que indica que mais de 80% de nossas áreas impactadas estavam associadas aos biomas da Mata Atlântica e Amazônia, assim como nossa capacidade de atuar na conservação e restauração. Em 2019, nosso baseline era de aproximadamente 850 hectares de áreas protegidas pela Vale (áreas próprias e em parcerias). Importante destacar que essa meta está alinhada aos objetivos do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, com destaque para as Metas 2, 3 e 10.  A estratégia para atingimento dessa meta foi baseada no estabelecimento de parcerias, inspirada pela atuação da Reserva Natural Vale e do Fundo Vale, com foco em desenvolver capacidades e negócios focados nessa agenda, ampliando assim os resultados para além desse compromisso. 

A RNV é uma área protegida de propriedade da Vale, localizada no estado do Espírito Santo, no Brasil, que representa um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica, totalizando 23 mil hectares e mais de 40 anos de experiência em conservação, pesquisa e parcerias. O Fundo Vale é um fundo de fomento e investimento criado pela empresa em 2009 para gerar impacto socioambiental positivo.  

Para proteger 400 mil hectares, estamos trabalhando com um modelo similar adotado na Amazônia e na Mata Atlântica há quase 40 anos, usando a expertise da RNV e estabelecendo parcerias com áreas protegidas para apoiar ações de conservação. Em 2022, começamos a estudar alternativas de proteção, como os projetos de REDD+ , buscando maior integração aos compromissos de clima. Como resultado, até 2024, temos 200.093 mil hectares protegidos em parceria com unidades de conservação, e, desse total, 85 mil hectares foram protegidos por meio de projetos de REDD+13. Essas áreas ajudam a manter um importante estoque de carbono, apoiando a agenda de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, favorecendo a regulação climática. As ações da meta suportam a gestão e a conservação efetiva dessas áreas, engajando as comunidades locais.

 Em 2024 atingimos um marco importante, alcançamos 50% do nosso objetivo de proteção da Meta Florestal – 200.000 hectares protegidos para além das nossas fronteiras. 
 

Para recuperar 100 mil hectares, o Fundo Vale construiu uma rede de parceiros e arranjos de negócios de impacto socioambiental positivo que, por meio de sistemas de manejo sustentáveis, , focados em Sistemas Agroflorestais, que melhoram a permeabilidade da paisagem, sequestram carbono e geram emprego e renda para a comunidade. Como resultado, até dezembro de 2024, os negócios apoiados implementaram modelos sustentáveis que recuperaram 18.443 hectares de áreas degradadas.

Conheça a Teoria de Mudança da Meta Florestal.

Avanço da Meta Florestal até 2024

Somando as ações de proteção e recuperação, em 2024 atingimos 218.536 hectares protegidos e recuperados desde 2020, atingindo cerca de 44% do compromisso assumido em cinco anos de atividades.

Abrangência das ações da Meta Florestal - Distribuição geográfica 500 mil hectares

Compromisso de nenhuma perda líquida (No Net Loss)

Temos como objetivo de longo prazo prevenir e neutralizar impactos significativos em nossos novos projetos e expansões localizados em áreas de alto valor para a biodiversidade, buscando o compromisso de Nenhuma perda líquida (No Net Loss) e, sempre que possível, a geração de Impacto Líquido Positivo (Net Gain). Nosso compromisso de Nenhuma Perda Líquida é reconhecido e aprovado pelo Comitê de Sustentabilidade e pelo Conselho de Administração. Mantemos sessões informativas e deliberativas, no âmbito do Comitê de Sustentabilidade, que reporta ao Conselho de Administração, reportando pelo menos uma vez por ano sobre nossa estratégia e desempenho em relação à natureza e à biodiversidade.

Esse compromisso está alinhado as metas do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, destacando-se aqui a Meta 15 que trata da gestão, redução e reporte de impactos e riscos de biodiversidade.

Nossa estratégia envolve a análise de riscos de biodiversidade e priorização de atributos trazendo a Hierarquia de Mitigação de Impactos (HMI) como base para a construção de Planos de Ação e Planos de Gestão, assim como para a melhoria daqueles já implantados. A construção desses planos envolve especialistas e partes interessadas internas e externas, além de estimular a produção de conhecimento científico para apoiar decisões e metas específicas de cada projeto ou operação.   

O Projeto Piloto do Plano de Gestão da Mina do S11D, em Carajás permitiu o aprofundamento e adaptação dos padrões de desempenho internacionais da IFC (sigla em inglês de Corporação Financeira Internacional, instituição membro do Banco Mundial) para a nossa realidade. Em 2020, publicamos nosso padrão normativo interno com as diretrizes e processos para gestão da biodiversidade, revisado em 2023. Esse normativo inclui todos os estágios da hierarquia de mitigação de impactos, com ações de compensação por meio da recuperação e conservação de áreas como base para neutralizar a perda de habitats (sem desmatamento líquido) e espécies.

Resumo dos processos previstos no padrão normativo

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Conheça iniciativas relacionadas ao nosso caminho em busca do No Net Loss na publicação Vale e Biodiversidade 2021

Case de implementação do normativo

O Projeto Piloto da Mina do Complexo S11D teve seus resultados publicados em 2021 em Vale & Biodiversidade. Mudanças de layout do projeto S11D permitiram evitar a supressão de mais de mil hectares de florestas. Graças ao alto investimento em tecnologia e inovação, reduzimos o consumo de combustível em 70%, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 50% e o consumo de água em 93%.  

A partir das ações de restauração, foi possível conectar florestas antes separadas por áreas degradadas. Plantamos quase um milhão de mudas, restaurando a floresta ao longo de mais de cinco mil hectares. O monitoramento dessas áreas vem detectando a presença de felinos como a onça pintada (Panthera onca) e a jaguatirica (Leopardus pardalis), animais topo da cadeia alimentar, o que indica o avanço no restabelecimento da biodiversidade nessas áreas.  
 
Onça-pintada (Panthera onca) – imagem captada nas armadilhas fotográficas durante monitoramento de fauna nas áreas de restauração.

Um estudo desenvolvido pelo ITV concluiu que esses esforços de restauração florestal reverteram efetivamente a trajetória de degradação ambiental predominante na paisagem e proporcionaram ganhos consideráveis de biodiversidade para a região. Veja mais aqui.

O plano de compensações enfocou a conservação de cavidades e dos campos rupestres ferruginosos. Com atenção às serras do Tarzan e da Bocaina, apoiamos o ICMBio no estabelecimento e na proteção do Parque Nacional dos Campos Ferruginosos de Carajás. 
Parque Nacional dos Campos Ferruginosos de Carajás. Foto: Lourival Tyski
Parque Nacional dos Campos Ferruginosos de Carajás. Foto: Lourival Tyski
Arquivo Vale

Compromisso de não operar em Sítios do Patrimônio Natural da Unesco

Alinhado a Declaração de Posicionamento de Natureza do ICMM, consolidamos publicamente nosso compromisso de não operar em sítios do Patrimônio Natural Mundial da Unesco. Esse compromisso faz parte das Diretrizes e Processos para Gestão da Biodiversidade, dentro do normativo de biodiversidadeda Vale, sendo importante destacar que não temos projetos ou operações nessas áreas. 

Ajudamos a proteger parte de um importante sítio – Reservas da Costa do Descobrimento da Mata Atlântica, com a conservação da Reserva Natural Vale (RNV) e da Reserva Biológica (REBio) de Sooretama.  

A RNV é uma propriedade Vale localizada no Espírito Santo, com 23 mil hectares de Mata Atlântica destinados voluntariamente à conservação e pesquisa. A REBio de Sooretama é uma área protegida federal contígua à RNV com a qual temos uma parceria para apoiar ações de conservação. Juntas, formam o maior bloco de remanescentes da Mata Atlântica do Estado, com cerca de 50 mil hectares, onde espécies ameaçadas e endêmicas vivem protegidas.

Alinhamento às agendas globais e nacionais

Nossas metas e compromissos, assim como nossa estratégia de natureza, estão alinhados aao objetivos do desenvolvimento sustentável (ODSs da ONU), marco global de biodiversidade de Kunming-Montreal (GBF da CDB) e às metas nacionais de biodiversidade (EPANB).
Algumas ações da Vale, alinhadas ao Marco Global de Kunming-Montreal (Para saber mais sobre os resultados de nossas metas acesse Clima, Água e Efluentes e Emissões Atmosféricas (não GEE). Acesse também nosso Reporte TNFD e informações alinhadas as recomendações de disclosure na aba TNFD do Databook ESG.)

Como  membro do ICMM, a Vale participou ativamente da elaboração da nova Declaração de Posicionamento de Natureza e se compromete a contribuir com um futuro positivo para a natureza, apoiando e participando ativamente adotando compromissos relacionados a redução e gestão de impactos em suas operações, atuando diretamente em sua cadeia de valor, buscando parcerias para atuar na recuperação e conservação na paisagem, alavancando transformações sistêmicas e dando transparência às suas ações e resultados. 

Como membro do CEBDS, a Vale se comprometeu com o Compromisso Empresarial Brasileiro para a Biodiversidade, deixando clara a importância da biodiversidade e serviços ecossistêmicos para nosso negócio e demonstrando nossos avanços na conservação e uso sustentável dos mesmos.

Como membro da Coalizão Life desde 2024, a Vale se une a empresas e instituições financeiras líderes em busca de métodos para mensurar a biodiversidade e acelerar a conservação global através de ações concretas e soluções transformadoras. 

Nossas dependências e impactos

Buscamos os melhores métodos, tecnologias e ações que permitam a menor interferência possível nos recursos naturais. Ainda assim, as operações têm impactos diretos e indiretos na biodiversidade.  

Para mapear e avaliar esses impactos, são elaborados diagnósticos específicos que compreendem desde o planejamento da entrada em novos territórios até a concepção final dos projetos, visando avaliar possíveis interferências em áreas de patrimônio natural, áreas protegidas, assim como hábitats e espécies sensíveis. Todas as expansões de operações e novos projetos são precedidos de estudos de impactos ambientais, de acordo com as normas e regulamentações de cada país e região em que se inserem. Esses impactos são reportados anualmente pelas áreas de meio ambiente operacionais para a área corporativa. A partir desses reportes, são avaliados os impactos mais materiais, de acordo com a frequência de reporte e avaliação dos mesmos. 

A implementação da abordagem LEAP do TNFD confirmou os resultados relacionados aos impactos mais materiais já acompanhados nos reportes anuais. Para avaliação da materialidade dos impactos para cada processo produtivo (mineração, ferrovia, porto) foi utilizado o ENCORE. Os drivers de impacto foram mensurados a partir de dados relacionados a emissões, uso da água, poluentes, resíduos e biodiversidade reportados anualmente pelas operações e disponíveis em nível corporativo no Databook ESG Vale 2023. Foram usados os dados disponíveis para o período de 2018 a 2022. Nossos impactos mais materiais são relacionados ao uso de água e alterações nos ecossistemas naturais.

Embasados pela hierarquia de mitigação de impactos, implementamos medidas de prevenção, controle, mitigação, recuperação e compensação, com o objetivo de reduzir e neutralizar nossos impactos e incorporar a conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos às atividades da empresa. Nossas ações respeitam as obrigações legais, mas buscamos, sempre que possível, implementar ações adicionais voltadas para a restauração e conservação e com foco na paisagem. 
Exemplos de ações implementadas em projetos e operações da Vale focadas em cada etapa da hierarquia de mitigação de impactos (para exemplos específicos de nossos sites, consultar reporte do CDP).
 
Cabe destacar que ações focadas em evitar e mitigar impactos relacionados a alterações no uso do solo e a supressão da vegetação também evitam emissões de gases de efeito estufa. Essas medidas são reforçadas nas etapas de planejamento de projetos a partir de diretrizes e recomendações dentro dos normativos de biodiversidade e mudanças climáticas. Da mesma forma, as ações focadas em recuperar e compensar apoiam a captura e manutenção de estoques de carbono, tendo resultados avaliados dentro do balanço de carbono. 

A partir de uma avaliação da localização das nossas operações e dos resultados de reporte anual de indicadores, nossos principais impactos envolvem alterações em ecossistemas, principalmente a partir da alteração no uso do solo e na cobertura vegetal, resultando na perda localizada da flora e na redução ou alteração dos hábitats da fauna. Em 2024, a área total afetada pelas operações da Vale totalizou 100.267 hectares (nosso footprint). Esse número inclui as áreas já alteradas para implantação de nossas operações, bem como aquelas que já receberam autorização formal dos órgãos reguladores ambientais para a implementação/operação. Grande parte dessa área está localizada no Brasil, interferindo nos biomas Amazônia e Mata Atlântica. 

Sempre consideramos em nosso planejamento e estratégia a dependência dos nossos negócios em relação a provisão de água. Em 2024, a partir da implementação da abordagem LEAP do TNFD, mapeamos as dependências materiais em nossos diferentes processos (mineração, ferrovia e portos). Mapeamos uma grande dependência dos ativos atrelada a provisionamento de água (subterrânea e superficial), e também a regulação climática, estabilização de massa e controle de erosão. Nos processos de mineração as dependências de maior materialidade são a provisão de água (água subterrânea e superficial), manutenção do fluxo de água e regulação climática. Para as ferrovias, as dependências de maior materialidade são estabilização de massa e controle de erosão e para os portos, a provisão de água (água subterrânea e superficial) (ver riscos associados aos impactos e dependências em Gestão de Riscos da Biodiversidade). 
 

Áreas de Alto Valor para a Biodiversidade

Parte das nossas operações no Brasil, nos estados do Pará e Minas Gerais, tem sobreposição com áreas protegidas categorizadas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). A área se refere às operações da Vale em Carajás, no Pará, localizadas dentro da Floresta Nacional de Carajás e da Floresta Nacional do Tapirapé Aquiri, unidades de conservação de uso sustentável (Categoria VI da União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN, na sigla em inglês), cujos decretos de criação permitem as atividades da empresa. Nossas operações localizadas na região do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais têm interferência na Área de Proteção Ambiental Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte (APA Sul RMBH), também uma unidade de conservação de uso sustentável (Categoria V da IUCN), cujo decreto de criação permite atividades antrópicas.
Extensão de alteração no uso do solo em áreas de alto valor para a biodiversidade (GRI 304-1/2024) Hectares
Área total impactada (área superficial e subterrânea)  
100.268
Área total impactada em Wilderness  
61.563
Área total impactada em Hotspots  
30.332
Áreas impactadas em áreas protegidas  
35.370
Áreas impactadas adjacentes a áreas protegidas  
39.406
Áreas impactadas em áreas prioritárias para conservação fora de áreas protegidas
26.551
Áreas impactadas adjacentes a áreas prioritárias para conservação fora de áreas protegidas  
23.576
Nota: as Áreas Protegidas que são impactadas pelas operações da Vale se referem a Unidades de Conservação de Uso Sustentável, de acordo com a legislação brasileira, e correspondem às categorias V e VI da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), com decretos de criação que permitem a execução das atividades da Vale no local. Adjacentes são consideradas aquelas áreas protegidas localizadas em um buffer de 10 km das operações.
As Áreas Protegidas adjacentes as nossas operações são compostas em sua maioria por unidades de conservação de propriedade da Vale. São Reservas Particulares do Patrimônio Natural (Categoria IV da IUCN) já instituídas ou em processo de criação, que estão próximas às nossas unidades operacionais. Há também unidades de conservação criadas e apoiadas pela Vale, como o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos (Categoria II da IUCN), criado no âmbito do licenciamento do Complexo S11D Eliezer Batista em Carajás, e o Parque Nacional do Gandarela, que a Vale tem apoiado na regularização fundiária.

Em relação a outras classes de áreas de alta importância para a biodiversidade, nossas operações apresentam interferências ou são adjacentes a algumas Áreas-chave para a Biodiversidade (KBA – Key Biodiversity Areas, em inglês) e a Sítios Ramsar (locais de importância ecológica definidos na Convenção sobre as Zonas Úmidas de Importância Internacional), de acordo com a tabela: 
 

Áreas-chave para a Biodiversidade

País/Localidade Tipo de operação Categoria da área importante para a biodiversidade¹ Posição
Brasil/ Mariana 
Mina/Usina 
KBA
Contém porções 
Brasil/ Ipatinga 
Logística/ferrovia 
Sítio Ramsar 
Adjacente²
Brasil/ Carajás 
Logística/ferrovia 
KBA
Contém porções 
Brasil/ Carajás 
Mina/Usina 
KBA
Sobrepõe 
Brasil/ São Luis 
Logística/Porto e Ferrovia
Sítio Ramsar 
Contém porções
Brasil/ São Luis 
Logística/Porto e Ferrovia 
KBA 
Contém porções
Omã/ Sohar 
Pelotização/Centro de Distribuição
KBA 
Contém porções
País de Gales/ Clydach 
Usina 
Sítio Ramsar 
Adjacente²
1. Fontes de consulta:https://www.keybiodiversityareas.org/; https://rsis.ramsar.org/; https://www.ibat-alliance.org (free IBAT Account)
2. Para área adjacente foi considerado o buffer de 10 km a partir dos limites externos das áreas de alta importância para a biodiversidade, e avaliada sua sobreposição em relação à área da unidade operacional.
Em 2024, foram registradas 1.140 espécies com ocorrência em hábitats impactados pelas operações da Vale ou próximos às operações. Destas, 96 são consideradas ameaçadas de acordo com as categorias da IUCN: Criticamente em Perigo (6), Em Perigo (32) e Vulnerável (58). 

Operações que geram impactos significativos em áreas de alto valor para a biodiversidade requerem Planos de Gestão da Biodiversidade. Nas nossas 47 unidades operacionais avaliadas em 2024, 44 (93,6%) necessitavam da elaboração de planos de gestão de biodiversidade (GRI G4 MM2). 

Todas as unidades operacionais que necessitam de planos tem programas e ações específicas de biodiversidade relacionadas as etapas da hierarquia de mitigação (controles, mitigação, recuperação e compensação).   Das 47 unidades avaliadas, 44 precisam de planos de gestão da biodiversidade. Todas elas têm planos específicos com ações relacionadas às etapas da hierarquia de mitigação de impactos (monitoramento, recuperação/restauração e compensação da biodiversidade) e uma (CPBS) não exige planos, mas possui programas em andamento alinhados com o plano do TIG (ver no ESG Databook, Dados Ambientais, GRI – G4 MM2). Cinquenta e dois planos estão totalmente implementados (algumas áreas possuem mais de um plano), um plano está em implementação pela Refinaria Clydach com previsão de concretização nos próximos 12 meses, além disso, este local já possui estudos de biodiversidade implementados. Um plano está sendo planejado para Port Colborn, que já possui programas de biodiversidade em vigor, mas o plano existente para Sudbury foi adaptado para se alinhar com os padrões da Mining Association of Canada (MAC) Towards Sustainably Mining (TSM) para gerenciar questões de biodiversidade.

Conservação e restauração

A Vale protege e ajuda a proteger uma área de aproximadamente 1 milhão de hectares, uma área 10 vezes maior que a ocupada pelas operações da empresa. Nesse montante são contabilizadas propriedades da Vale ou de terceiros, protegidas por meio de parcerias com órgãos ambientais, em atendimento a requisitos legais e também a ações voluntárias. Essas áreas estão localizadas em territórios de alto valor para a biodiversidade e prioritários para a conservação, como hotspots e áreas-chave de biodiversidade (Key Biodiversity Areas), protegendo aproximadamente 500 espécies ameaçadas (dados de 2024).  

Áreas protegidas pela Vale

Área protegida Localização Bioma Propriedade Área (hectares)
Floresta Nacional de Carajás
Brasil (Pará)
Floresta Amazônica
Parceria ICMBio¹
391.004 
Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri
Brasil (Pará)
Floresta Amazônica
Parceria ICMBio¹
114.240 
Floresta Nacional do Itacaiúnas
Brasil (Pará)
Floresta Amazônica
Parceria ICMBio¹
136.592 
Reserva Biológica do Tapiparé
Brasil (Pará)
Floresta Amazônica
Parceria ICMBio¹
99.198 
Área de Proteção Ambiental do Igarapé do Gelado
Brasil (Pará)
Floresta Amazônica
Parceria ICMBio¹
23.269 
Parque Nacional dos Campos Ferruginosos 
Brasil (Pará)
Floresta Amazônica
Parceria ICMBio¹
21.997 
RPPN Serra Leste
Brasil (Pará) 
Floresta Amazônica
Própria
150
Parque Botânico em São Luís 
Brasil (Maranhão) 
Floresta Amazônica 
Própria
110
Monumento Serra das Torres 
Brasil (Espírito Santo)
Mata Atlântica
Parceria IEMA
10.458 
Reserva Biológica Duas Bocas 
Brasil (Espírito Santo)
Mata Atlântica
Parceria IEMA 
2.910 
Floresta Nacional de Goytacazes 
Brasil (Espírito Santo) 
Mata Atlântica
Parceria ICMBio1 
1.425 
Parque Botânico de Tubarão
Brasil (Espírito Santo)
Mata Atlântica
Própria
30
Reserva Natural Vale
Brasil (Espírito Santo)
Mata Atlântica
Própria
22.710
Reserva Biológica de Sooretama
Brasil (Espírito Santo)
Mata Atlântica
Parceria ICMBio¹
27.800
Reserva Biológica Augusto Ruschi 
Brasil (Espírito Santo) 
Mata Atlântica
Parceria ICMBio¹
3.598 
Parque Estadual Cunhambebe 
Brasil (Rio de Janeiro) 
Mata Atlântica
Parceria INEA²
38.053 
Reserva Biológica União 
Brasil (Rio de Janeiro) 
Mata Atlântica 
Parceria ICMBio¹
7.756
RPPNs, Reseva Florestal e Áreas de Servidão Ambiental 
Brasil (Minas Gerais) 
Mata Atlântica
Própria 
21.830 
Áreas de proteção de quatro pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) 
Brasil (Minas Gerais) 
Mata Atlântica
Própria 
330 
Reserva Biológica da Mata Escura 
Brasil (Minas Gerais)
Mata Atlântica
Parceria ICMBio¹
50.892
Centro Ecológico Vale Malásia (Vale Eco Center) 
Malásia 
Sundaland 
Própria 
289 
Total
-
-
-
974.641
[1] Fonte: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) (http://www.icmbio.gov.br/brasil) Ministério do Meio Ambiente.  
[2] Fonte: Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Governo do Rio de Janeiro. 

Indicadores de recuperação e restauração

Atuamos na recuperação de áreas degradadas e na restauração de habitats em nossas operações e propriedades. Essas medidas são utilizadas para endereçar impactos residuais que não podem ser evitados ou mitigados. Para essas ações, utilizamos mudas produzidas a partir de sementes resgatadas nas áreas a serem suprimidas, com o objetivo de manutenção da variabilidade genética, priorizando as espécies ameaçadas e endêmicas. A recuperação de áreas degradadas está prevista também em nossos planos de fechamento de mina.

Quantidade de terras – próprias ou arrendadas, usadas para atividades produtivas ou extrativistas – alteradas ou reabilitadas (2024)

Saldo de abertura e fechamento¹ Hectares
Áreas impactadas (Saldo de Abertura)  
61.612
Áreas impactadas no ano de referência  
735
Áreas em recuperação permanente no ano de referência  
577
Áreas impactadas (Saldo de Fechamento)  
61.771
1. Indicador apresentado conforme as diretrizes do Suplemento Setorial GRI Mineração e Metais, conteúdo GRI MM1.

Pesquisa e parcerias

Os investimentos em pesquisa e conhecimento científico são essenciais para embasar nosso processo de gestão de impactos, decisões e ações. Focada em melhorar e maximizar os resultados dessas ações, a Vale estabelece parcerias com especialistas em biodiversidade, tais como universidades, organizações governamentais e consultorias.  
Buscamos estudos ambientais consistentes, atividades de mitigação, recuperação e compensação que constituam planos de ação eficazes, além de fomentar a geração e divulgação de conhecimento. Para apoiar nossa estratégia, mantemos o Instituto Tecnológico Vale (ITV), um centro de pesquisa que atua na Amazônia desde 2010. Com sede em Belém (PA), o ITV é referência em conhecimento científico da biodiversidade, restauração de habitats, eDNA para monitoramento de áreas, mudanças climáticas e biotecnologia. 

Em outubro de 2024, o ITV tinha R$ 946,63 milhões de investimentos acumulados em pesquisa, 2.165 publicações científicas, 298 projetos de Pesquisa e Desenvolvimento, 339 pesquisadores bolsistas e 68 pesquisadores permanentes. 
Arquivo Vale
Queremos avançar ainda mais, alavancando ações que ampliem os resultados positivos para a natureza.  Para isso, estamos buscando impulsionar parcerias focadas em recuperação e conservação e que apoiem a jornada pelo desmatamento ilegal zero. Em nossa Meta Florestal, estamos trilhando um caminho focado em parcerias e desenvolvimento de um ecossistema de novos negócios baseados na natureza. 

Em novembro de 2022, durante a Conferência do Clima (COP 27), lançamos a Biomas, uma nova empresa focada em restaurar e proteger, ao longo de 20 anos, 4 milhões de hectares de matas nativas em diferentes biomas brasileiros, como Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. A iniciativa é resultado de uma parceria com as empresas Itaú Unibanco, Marfrig, Rabobank, Santander e Suzano.  

A Biomas lançou recentemente o Projeto Muçununga, que realizará o plantio de mais de 70 espécies nativas da Mata Atlântica no sul da Bahia, recuperando 1.200 hectares.
Dyckia sp, uma das espécies em estudo no projeto. Vale/Divulgação
Uma parceria entre o Fundo Vale, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a Microsoft e a Climate and Land Use Alliance criou o PrevisIA, uma plataforma digital pública que identifica áreas com maior risco de desmatamento e queimadas na Amazônia. Essa ferramenta de inteligência artificial auxilia no planejamento de ações preventivas e políticas públicas.  

Desde 2021, a Vale possui um acordo de cooperação técnica com o Instituto Marcos Daniel (IMD), uma associação privada sem fins lucrativos, para a conservação da saíra-apunhalada (Nemosia rourei), espécie de ave endêmica da Mata Atlântica do Espírito Santo e criticamente ameaçada de extinção globalmente. A Reserva Natural Vale apoia atividades de levantamento florístico, recuperação de áreas degradadas, monitoramento e busca de ninhos, para prevenir sua extinção e apoiar sua sobrevivência a longo prazo.  
A saíra-apunhalada (Nemosia rourei), com apenas 22 indivíduos conhecidos na natureza, é protegida com apoio da Vale. Foto: Gustavo Magnago. 
Essas ações estão em consonância com o Plano de Ação Nacional para Conservação da Saíra-apunhalada. Hoje são apenas 22 indivíduos conhecidos na natureza distribuídos em duas populações: na Reserva Kaetés, em criação a partir do suporte de ONGs internacionais e gerida pelo IMD; e outra na Reserva Biológica Augusto Ruschi, gerida pelo ICMBio e apoiada pela Vale dentro da Meta Florestal. O Instituto Tecnológico Vale (ITV) também contribui com o projeto, por meio de pesquisas sobre o genoma da espécie.
 
Em 2022, iniciamos uma parceria com a Agência Paulista de Tecnologia e Abastecimento, com foco na pesquisa de técnicas de propagação e multiplicação de plantas raras e endêmicas dos campos rupestres de Minas Gerais. A Rede Propagar estabelece a cooperação entre pesquisadores de universidades e Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs), como: 
• Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA)
• Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
• Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP)
• Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
• Universidade Federal de Viçosa (UFV)
• Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e
• Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)
No fim de 2022, o Instituto Tecnológico Vale – Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançou um programa inovador, que prevê o mapeamento genômico de espécies da fauna e flora brasileiras ameaçadas de extinção, exóticas ou que tenham potencial para gerar renda para agricultores envolvidos com projetos de bioeconomia. O Projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) é uma proposta inédita no Brasil e conta com a participação de diferentes instituições de pesquisas nacionais e internacionais. A iniciativa tem investimento da Vale, que enxerga a importância da pesquisa para a manutenção da biodiversidade no Brasil e valoriza o potencial de produção de conhecimento da ciência brasileira. Em dois anos, o GBB já estudou 611 espécies da fauna e flora brasileiras, das quais 563 tiveram o seu genoma sequenciado. O programa conta com 99 parceiros e 267 pesquisadores envolvidos, além de 14 centros de pesquisa do ICMbio. O programa inclui ainda a capacitação de servidor es do órgão ambiental no ITV – até agora 135 pessoas já foram treinadas nas ferramentas de mapeamento genético e genômico.

Reportes (TNFD e CDP Florestas)

TNFD

A Força-tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas à Natureza (TNFD, na sigla em inglês) é um conjunto de diretrizes para as empresas divulgarem seus impactos, dependências, riscos e oportunidades que têm relação com a natureza. Propõe a mesma abordagem da Força-tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês) e busca seguir os padrões desenvolvidos pelo Conselho de Padrões Internacionais de Sustentabilidade (ISSB, na sigla em inglês). O padrão foi criado por meio de consultas públicas, e a sua versão final foi lançada em 19 de setembro de 2023 na Semana do Clima em Nova York. 

Desde 2022, somos membros do Fórum TNFD, participando de reuniões e fornecendo feedbacks sobre a estrutura da plataforma. Fazemos parte do grupo liderado pelo Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM na sigla em inglês) de Parceiros do Programa Piloto da TNFD, assim como parte do Grupo Consultivo Brasileiro, liderado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).  
Arquivo Vale
Em 2022, fizemos uma análise de aderência e mapeamento de lacunas em relação às recomendações da metodologia LEAP. Em 2023 fizemos um piloto da implementação dessa abordagem, com foco em nossas operações diretas ativas do Brasil. Estes são os principais resultados: 
 
  • Nossos impactos de maior materialidade estão relacionados ao uso da água, às emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a alterações no uso de ecossistemas terrestres.  
  • Nossas dependências de maior materialidade são relacionadas à provisão de água (subterrânea e superficial), à regulação climática e ao controle de erosão.  
  • A avaliação dos riscos mostra aderência da metodologia de avaliação de riscos da TNFD à gestão de riscos feita pela Vale. Nossos principais riscos materiais estão relacionados a alterações nos regimes climáticos, diminuição na disponibilidade de recursos hídricos e alterações em áreas de alto valor para a biodiversidade, com ocorrência de espécies endêmicas e ameaçadas. 
Em janeiro de 2024, 320 empresas anunciaram em Davos (Reunião anual do Fórum Econômico Mundial) que decidiram liderar, como early adopters, a Taskforce on Nature-related Financial Disclosure (Força-tarefa para Divulgação Financeira Relacionada à Natureza, TNFD, na sigla em inglês), que visa criar diretrizes para que as empresas considerem os riscos à biodiversidade e ao capital natural em seus relatórios financeiros. Com adesão de forma voluntária, a iniciativa TNFD terá prestação de contas até 2026. 

Em 2024, avançamos na implantação da abordagem LEAP do TNFD para as operações fora do Brasil. Além disso, aprimoramos nossa avaliação dos riscos à biodiversidade com a criação do Grupo de Trabalho de Avaliação de Riscos à Biodiversidade, um grupo multidisciplinar para discutir e integrar a metodologia de Avaliação de Riscos da Vale com a abordagem proposta pela TNFD. Esse grupo de especialistas em risco, estratégia e biodiversidade aprimorou as análises de riscos à biodiversidade, e os riscos estratégicos à biodiversidade passaram a fazer parte do mapa de riscos integrados da empresa, com melhoria dos controles já implementados e propostas que serão implementadas nos próximos anos.
Nota: O conteúdo sobre biodiversidade retratado nesta página considera as recomendações da Força-tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas à Natureza (Task-force on Nature-related Financial Disclosures – TNFD) para a apresentação das informações e dos indicadores. A revisão das informações foi feita em 2023.  

Cadeia de valor

Reconhecemos a importância e o desafio de trabalhar temas ESG junto a nossa cadeia de valor. As práticas de nossos fornecedores têm influência direta sobre os impactos que provocamos na natureza, portanto, a gestão de riscos e oportunidades na cadeia é fundamental para assegurar práticas responsáveis que garantam a continuidade e competitividade do nosso negócio. 

Em 2022, dentro do nosso programa de Compras Sustentáveis, construímos a Matriz de Criticidade ESG da cadeia de fornecedores, elaborada a partir da segmentação da base de fornecedores no Brasil, análise das categorias de compras sob a perspectiva de riscos ambientais, sociais e de governança e em alinhamento às diretrizes da ISO 20400 – Compras Sustentáveis. Com essa matriz, revisada em 2024, classificamos nossos fornecedores conforme seus potenciais impactos e riscos ESG, considerando intensidade de emissões de gases de efeito estufa, biodiversidade, gestão de resíduos, gestão de recursos hídricos, integridade, trabalho análogo a escravo, trabalho infantil entre outros. 

Entre os mais de 6,2 mil fornecedores com os quais tivemos relações contratuais em 2024, cerca de 2% são classificados como críticos (risco alto e muito alto) para biodiversidade e água. Entre os próximos passos para 2025 estão o mapeamento da maturidade desses fornecedores e a realização de capacitações.

Saiba mais em Fornecedores.
Arquivo Vale

CDP

Desde 2020, a Vale reporta o questionário específico para o setor de minerais e metais do programa de florestas do CDP, visando dar mais transparência ao processo de gestão. Seu foco é no gerenciamento de impactos, riscos e oportunidades em relação à biodiversidade e às florestas. Esse questionário leva em consideração outras referências, como a IFC Performance Standards, da International Finance Corporation (vinculada ao Banco Mundial) e a Cross-Sector Biodiversity Initiative (CSBI).

CDP Questionário 2024 (disponível em setembro)
 

CDP Questionário 2023 

CDP Questionário 2022 

Saiba mais

Conheça as ações da Vale para conservação e restauração da biodiversidade nos territórios onde a empresa atua.

Gestão de Riscos de Biodiversidade

A Vale reconhece a relevância da conservação dos ecossistemas e da biodiversidade e está aperfeiçoando as políticas e os processos de avaliação de riscos, em conformidade com a Força-Tarefa de Divulgação Financeira Relacionada à Natureza (TNFD). Desde 2015, temos aplicado uma avaliação de sensibilidade/risco de biodiversidade para entender a interface de todas as nossas operações e projetos com a natureza, assim como priorizar áreas com altos riscos para a biodiversidade. A análise incluiu nove categorias de áreas e/ou territórios relevantes para a biodiversidade, de acordo com organizações globais e nacionais (Áreas Chave de Biodiversidade - KBA, Áreas Protegidas, Hotspots, ocorrência de Espécies Ameaçadas de Extinção, entre outras) às quais foram atribuídos pesos que caracterizam sua sensibilidade e valor em relação à biodiversidade. As áreas priorizadas como de alto risco para a biodiversidade são aquelas localizadas no Brasil, na Amazônia (Carajás) e na Mata Atlântica (Quadrilátero Ferrífero). Essas áreas possuem ações de gestão de impactos e riscos específicos, consolidados em planos de gestão e ação que vem sendo implantados em cumprimento a requisitos legais e de maneira voluntária, aprimorados a cada ano.    

Mapeamos os riscos relacionados à natureza em nossas operações diretas localizadas no Brasilcom base na avaliação das nossas dependências e impactos mais materiais, a partir da implementação da abordagem LEAP do TNFD. Para avaliação dos processos produtivos e da materialidade dos impactos e dependências utilizamos a ferramenta de materialidade da SBTN e o ENCORE, calibrando os resultados de acordo com expertises de nossa equipe.  Identificamos que a metodologia e processos utilizados pela Vale são aderentes ao proposto pelo TNFD, sendo que os principais riscos materiais mapeados já são conhecidos e geridos. 

Riscos mais materiais mapeados, atrelados as dependências e impactos, e principais controles associados.

Em relação ao risco de alterações em áreas de alto valor para a biodiversidade, com ocorrência de espécies endêmicas e ameaçadas, o normativo interno Diretrizes e Processos para Gestão da Biodiversidade foca no mapeamento de atributos e análise de riscos de biodiversidade, abrangendo todas as áreas de nossos negócios, operações e projetos, tendo como base a Hierarquia de Mitigação de Impactos e o padrão de desempenho PS6 IFC. Além disso, o investimento em pesquisa científica e geração de conhecimento sobre as espécies endêmicas e ameaçadas com ocorrência em nossas áreas de interesse embasa nossas decisões focadas em evitar e reduzir impactos e as ações de restauração e conservação.

Existem na Vale processos contínuos de gestão de riscos e impactos estabelecidos nas operações e projetos, com foco na identificação, prevenção, mitigação e tratamento de riscos e impactos negativos relacionados a biodiversidade. Conforme relatado no CDP Forest, todas as atividades planejadas e executadas na Vale são apoiadas por procedimentos específicos para identificar riscos associados e definir controles críticos para eliminar, controlar e/ou mitigar. A Vale possui uma Política de Gestão de Riscos, uma Norma de Gestão de Riscos e um procedimento normativo interno voltado para a definição de critérios e processos para a identificação, análise e classificação de riscos ambientais, além de ferramentas específicas para gestão e monitoramento.  

Em 2024 aprimoramos nossa avaliação dos riscos à biodiversidade, discutindo e integrando a metodologia de Avaliação de Riscos da Vale com a abordagem proposta pela TNFD (LEAP – Avaliar). Os riscos estratégicos à biodiversidade foram avaliados e passaram a fazer parte do mapa de riscos integrados da empresa, com melhoria dos controles já implementados e propostas que serão implementadas nos próximos anos.

Conheça mais sobre o processo de Gestão de Riscos da Vale.