

Fomento à economia circular
A mineração circular é um conceito emergente que integra práticas sustentáveis e de economia circular no setor da mineração. Tradicionalmente, a mineração tem sido associada à extração de recursos minerais de forma linear, onde os materiais são lavrados, processados, utilizados e, a parcela que não é passível de aproveitamento, descartada. A mineração circular, por outro lado, é uma prática de maximização do uso dos recursos minerais, buscando prevenir a geração de resíduos e utilizar os que são gerados no processo produtivo, como estéril e rejeito.
Neste contexto, a circularidade na mineração emerge como um pilar fundamental para a estratégia da Vale, tornando-se alavanca essencial para o negócio e criando oportunidades significativas de compartilhamento de valor.
Programa de Mineração Circular da Vale – Waste to Value
Alinhada ao movimento global de cuidado com o Planeta, a circularidade se materializa na Vale por meio do Programa de Mineração Circular – Waste to Value. Com ele, buscamos estabelecer uma operação em direção à nossa visão de alcançarmos o máximo aproveitamento das nossas reservas minerais com a menor geração de estéril e rejeito possível, além de benefícios em emissão de carbono em toda a cadeia de valor do processo produtivo de minério de ferro.
O Programa já identificou mais de 100 iniciativas de Mineração Circular na Vale, sendo que diversas estão em execução e mostram que a circularidade é uma realidade nas operações. Em 2025, produzimos 26,3 Mt de minério de ferro, 107% acima do produzido em 2024, por meio de fontes circulares e, até 2030, temos o potencial de que aproximadamente 10% da nossa produção de minério de ferro seja proveniente da mineração circular, como resultado da ampliação e consolidação de soluções de aproveitamento de materiais ao longo da cadeia produtiva.
O Waste to Value provoca uma mudança na forma de minerar, remodelando o futuro da mineração por meio da inovação dos processos, reforçando o compromisso da Vale para uma indústria ainda mais responsável e se firmando como uma importante alavanca de sustentabilidade e geração de novas oportunidades de negócios para a companhia.
Acesse o vídeo e saiba mais sobre o Programa de Mineração Circular
Principais frentes de atuação do Programa e Casos de Mineração Circular na Vale
1. Aproveitamento de estéril
One of the value drivers of the Waste to Value initiative is the utilization of materials that were previously considered waste, through the development or adaptation of mineral processing routes and a higher level of innovation and technology. We are reusing iron formation waste while maintaining the quality offered in the market and meeting customer needs—in other words, we are transforming this material into something economically viable.
2.1 Phosphorus-Rich Waste Pile
Originally, the Alegria Mine recovering ore from high-phosphorus materials was not feasible. With the shift to dry processing, the Phosphorus-Rich Waste Pile became a viable ore due to its high iron content, while also contributing to the removal of this geotechnical structure. The material is now reused through blending with other materials, a key iron ore feed at the Alegria Mine in Minas Gerais.
2.2 Pilha de Estéril WH
The Capanema Maximization Project in Minas Gerais began in 2025 by reprocessing the WH Waste Pile, using material similar to that of the Capanema pit. The operation includes a long-distance conveyor belt (TCLD) connecting Capanema to the Timbopeba plant, reducing truck traffic in the region. With fewer unit operations and no water added during processing, the use of the pile is a 100% circular operation, ensuring maximum resource utilization and a more efficient, safer, and more sustainable process. Around R$ 5.2 billion were invested in reactivating the unit, which had been idle for 22 years, including modernization of facilities and integration with other mines in the region. The works lasted five years, involved about 40 companies and more than 6,000 workers at peak activity, prioritizing local labor. The operation now employs 800 people.

Foto: Arquivo Vale
2. Reaproveitamento e redução de rejeito
Temos desenvolvido técnicas para reduzir a geração de rejeito e, consequentemente reduzirmos o impacto da disposição destes materiais no ambiente, além de maximizarmos o uso dos recursos minerais.
1.1 Gelado
O Gelado, com operações iniciadas em 2023 em Carajás (PA), tem reaproveitado rejeito de minério de ferro acumulado na barragem do Gelado desde 1985, utilizando dragas 100% elétricas para extração mais sustentável, colaborando diretamente para o benefício em redução de emissões de C02e. Com uma capacidade potencial de produção de 25 milhões de toneladas até 2030, o projeto contribuirá para a redução de impactos ambientais e apoiará metas de descarbonização da empresa. Além disso, a concentração magnética, tecnologia de beneficiamento utilizada pela primeira vez no Pará, aprimora a qualidade do material que apresenta alto teor em ferro. O projeto, que reforça a estratégia da Vale de desenvolver soluções inovadoras para reutilização de resíduos do processo produtivo, é citado como exemplo pelo ICMM enquanto exemplo de iniciativa de circularidade na indústria da mineração.
1.2 Barragem de Vargem Grande
Durante o processo de descaracterização da Barragem de Vargem Grande, o rejeito removido e processado nas nossas usinas gera pellet feed, ou ainda, é vendido para parceiros minerais. Desta forma, reduzimos disposições temporárias em cavas e a necessidade de novas áreas para construção de pilhas, minimizando riscos geotécnicos associados. O processo de descaracterização da barragem com aproveitamento do rejeito nas usinas do complexo Vargem Grande está previsto para acontecer até 2028.

Foto: Arquivo Vale
3. Desenvolvimento de Coprodutos
Por meio de investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), estamos identificando e fomentando o desenvolvimento de produtos elaborados a partir de resíduos do processo produtivo de minério de ferro, transformando rejeito e estéril em outros produtos comercializáveis. O destaque é para materiais com aplicação nos setores da construção civil e agrícola, contribuindo para a sustentabilidade do negócio e compartilhando valor.
3.1 Fábrica de Blocos da Mina do Pico
Após 10 anos de pesquisa e desenvolvimento em cooperação técnica com o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), inauguramos em 2020 a Fábrica de Blocos do Pico, instalada na Mina do Pico, no município de Itabirito (MG). A planta transforma rejeitos da mineração em blocos intertravados para pavimentação de vias, promovendo a economia circular na operação de beneficiamento do minério de ferro. Em 2025 foram produzidos mais de 407 K de blocos intertravados na Mina do Pico.

Foto: Arquivo Vale
3.2 Areia sustentável
A extração da areia natural frequentemente ultrapassa a taxa de reposição natural, podendo causar impactos ambientais severos, além de ser um recurso natural finito. Por outro lado, o processamento de minério de ferro pode gerar rejeito, que são compostos basicamente de sílica, o principal componente da areia. Após sete anos de investimento em pesquisa para encontrar soluções para o reaproveitamento desse rejeito, a Areia Sustentável começou a ser produzida em 2021, na mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), como substituto da areia extraída do meio ambiente. Nesse mesmo ano, a Vale iniciou a comercialização do produto destinado para a construção civil, com alto teor em sílica e baixo teor de ferro, além de alta uniformidade química e granulométrica. Em 2023, foi criada a startup Agera para desenvolver e ampliar o negócio na Vale e, até o final de 2025 já foram produzidos e destinados mais de três milhões de toneladas de areia sustentável.
Como forma de gerar valor econômico, a iniciativa contribui para reduzir a extração de areia da natureza e promover benefícios sociais, como a doação de 30 mil toneladas à Prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo (MG) em 2025, que foi utilizada para a pavimentação da estrada que liga a comunidade de Vargem da Lua à Mina Brucutu.
Saiba mais sobre a Agera aqui.

Foto: Arquivo Vale