

Novo Acordo e Solução Definitiva
Em novembro de 2024, foi firmado o Acordo de Reparação Integral Definitiva de Mariana entre Samarco, Vale e BHP Brasil, a União, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, além de instituições de Justiça, garantindo a reparação e compensação definitiva dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, em 2015. O Acordo Definitivo substitui acordos anteriores e estabelece um modelo robusto para acelerar a reparação, com foco nas pessoas atingidas, na recuperação ambiental e na retomada econômica dos territórios impactados.
A Vale acompanha o processo de reparação via Conselho de Administração da Samarco, no qual conta com 3 assentos com respectivos suplentes, e através do Comitê de Reparação, de assessoramento ao Conselho.
O compromisso previa R$ 170 bilhões para a reparação definitiva, dos quais cerca de R$ 38 bilhões já haviam sido desembolsados até setembro de 2024 em ações executadas pela extinta Fundação Renova. Os R$ 132 bilhões restantes serão destinados da seguinte forma:
-
R$ 100 bilhões em obrigações de pagar, repassados ao longo de 20 anos para os governos federal, estaduais de MG e ES e municípios, visando financiar políticas públicas.
- R$ 32 bilhões previstos para obrigações de fazer*, sob responsabilidade da Samarco incluindo, entre outros temas, indenizações, reassentamentos e recuperação ambiental em Mariana (MG) e na Bacia do Rio Doce.
O acordo prevê o beneficiamento direto de 49 municípios da calha do rio Doce, abrangendo Minas Gerais e Espírito Santo, e contempla ações estruturantes em saúde, saneamento, infraestrutura, recuperação ambiental e fortalecimento socioeconômico das comunidades atingidas.
*Os R$ 32 bilhões representam uma estimativa de desembolsos para as obrigações de fazer na época da assinatura do Acordo.

Compromitentes
- Casa Civil da Presidência da República
- Secretaria Geral da Presidência da República
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA)
- Ministério de Minas e Energia (MME)
- Ministério da Saúde (MS)
- Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA)
- Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS)
- Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA)
- Ministério dos Povos Indígenas (MPI)
- Ministério da Igualdade Racial (MIR)
- Ministério dos Transportes (MT)
- Ministério das Cidades (MCID)
- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)
- Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
- Agência Nacional de Águas e de Saneamento Básico (ANA)
- Agência Nacional de Mineração (ANM)
- Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI)
- Instituto Nacional de Seguro Social (INSS)
Todos representados neste instrumento pela:
- Advocacia Geral da União (AGU)
Estado de Minas Gerais:
- Instituto Estadual de Florestas (IEF)
- Instituto Mineiro de Gestão de Águas (IGAM)
- Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM)
Estado do Espírito Santo:
- Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA)
- Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (IDAF)
- Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH)
Ministério Público Federal:
- Ministério Público de Minas Gerais
- Ministério Público do Espírito Santo
- Defensoria Pública da União
- Defensoria Pública de Minas Gerais
- Defensoria Pública do Espírito Santo
Demais assinantes:
- Samarco Mineração S.A. (Compromissária)
- Vale S.A. e BHP Billiton Brasil Ltda. (Acionistas)
- Fundação Renova (Interveniente Anuente)
- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES (Interveniente Anuente da Seção II, CAPÍTULO IV, das CLÁUSULAS GERAIS deste ACORDO)
Governança da Reparação
A Samarco assumiu obrigações diretas de execução, conhecidas como obrigações de fazer, que representam ações essenciais para garantir a reparação integral e definitiva.
Essas obrigações estão concentradas em três pilares:
- Reassentamento – com a conclusão e entrega dos novos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu.
- Indenizações – por meio da abertura de novas portas indenizatórias e continuidade dos auxílios financeiros.
- Recuperação Ambiental – com metas de restauração florestal, recuperação de nascentes e melhoria da qualidade da água na Bacia do Rio Doce.
Essas frentes refletem o compromisso da empresa com avanços concretos nas áreas social, econômica e ambiental, sob acompanhamento das instituições de justiça e com transparência para as comunidades atingidas.
A Vale reafirma seu compromisso de apoiar a Samarco na reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão e com a obrigação previamente acordada pelos acionistas de financiar, cada um na proporção de sua participação de 50%, os valores que a Samarco eventualmente deixar de financiar como devedora primária.
A provisão da Vale registrada para essas obrigações é de R$ 14,4 bilhões até 31 de dezembro de 2025 e inclui estimativas das contribuições da Samarco. O cronograma estimado para desembolso de caixa é apresentado abaixo.
Para mais informações de cada tema:
| Total | 4T24 | 2025 | 2026 | 2027 | 2028 | 2029 | 2030 | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Obrigações a pagar
|
100
|
5,0
|
6,0
|
7,0
|
5,0
|
5,0
|
5,1
|
5,5
|
Obrigações a fazer
|
32
|
2,4
|
16,8
|
5,1
|
0,8
|
0,7
|
0,6
|
0,8
|
Desembolsos realizados⁶
|
38
|
–
|
–
|
–
|
–
|
–
|
–
|
–
|
Total (R$ bilhões)
|
170
|
7,4
|
22,8
|
12,1
|
5,8
|
5,7
|
5,7
|
6,3
|
Saída de caixa dos compromissos da Samarco (incluída na dívida líquida expandida)¹²³
| Desembolsado até dez/2025 | 2026 | 2027 | 2028 | 2029 | 2030 | 2031 | Média anual 2032 - 2043 | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Reparação de Mariana -
|
73,1
|
12,4
|
6,2
|
5,8
|
9,0
|
9,4
|
6,8
|
5,2
|
Reparação de Mariana - 100%
|
6,2
|
3,1
|
2,1
|
3,5
|
3,2
|
–
|
–
|
|
Contribuição Vale (US$ bilhão)³
|
1,1
|
0,6
|
0,4
|
0,6
|
0,6
|
–
|
–
|
Além dos recursos já aplicados pela Samarco nas frentes de indenizações individuais, reassentamentos e ações ambientais, o Acordo de Repactuação destina R$ 100 bilhões para uma ampla gama de projetos estratégicos, coordenados pelo poder público e voltados à recuperação socioeconômica e ambiental da Bacia do Rio Doce.
Entre os diversos projetos, destacam-se:
- Transferência de renda (PTR) – prevê R$ 3,75 bilhões para auxílio mensal a pescadores e agricultores atingidos, no valor de 1,5 salário-mínimo por até quatro anos.
- Retomada econômica – destinação de R$ 6,5 bilhões aos Programas de Retomada Econômica (PRE), estruturados em três eixos:
- Fomento produtivo, para negócios geradores de emprego e renda (MDS).
- Eixo Rural, voltado à revitalização das atividades produtivas sustentáveis de agricultores familiares, quilombolas e comunidades tradicionais (MDA e MAPA).
- Educação, ciência e inovação, para fortalecer capacidades locais.
- Fundo de participação social – com R$ 5 bilhões para projetos definidos pelas próprias comunidades atingidas.
- Mulheres e povos tradicionais – previsão de R$ 8 bilhões para um modelo de autogestão por indígenas, povos e comunidades tradicionais, assegurando direitos reparatórios e políticas públicas específicas. Outros R$ 1 bilhão serão destinados em benefício das mulheres da Bacia Hidrográfica do Rio Doce.
- Meio ambiente – R$ 8,13 bilhões para ações da União Federal que promovam benefícios socioambientais à Bacia Hidrográfica do rio Doce, bem como aos seus ecossistemas terrestres, marinhos e costeiros. R$ 6 bilhões para ações dos Estados voltadas à recuperação e compensação ambiental.
- Pesca – R$ 2,44 bilhões serão destinados ao Plano de Reestruturação da Gestão da Pesca e Aquicultura (Propesca), visando promover o desenvolvimento sustentável do setor pesqueiro e aquícola, assegurar a preservação dos recursos naturais e melhorar a qualidade de vida das comunidades envolvidas.
- Saúde – previsão de R$ 12 bilhões para investimento em saúde coletiva na Bacia do Rio Doce, sendo R$ 3,6 bilhões para políticas e ações e R$ 8,4 bilhões para um fundo perpétuo que garantirá custeio adicional ao SUS.
- Saneamento e enchentes – investimento de R$ 11 bilhões para universalização do saneamento básico nos municípios da Bacia, e R$ 1 bilhão para ações voltadas à resposta a enchentes e demais desastres decorrentes de chuvas e à recuperação ambiental e produtiva das margens e da Foz do Rio Doce.
- Infraestrutura, municípios e fiscalização – previstos R$ 4,3 bilhões para duplicação e melhorias nas rodovias BR-262 e BR-356, R$ 6,1 bilhões para repasses diretos aos 49 municípios da calha do Rio Doce e R$ 1 bilhão para fortalecer Agência Nacional de Mineração (ANM) e ampliar a capacidade de fiscalização de barragens.
Mais informações
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